Medicina Veterinária de Felinos - Um mercado em crescimento

Em entrevista para a NetVet, Archivaldo Reche Junior fala sobre os rumos da medicina veterinária de felinos e dá dicas para o veterinário que pretende se dedicar à especialidade

O mercado veterinário já trabalha com a ideia de que a população de gatos irá superar a de cães em breve. A Revista PetCenter, em sua edição de janeiro de 2018, cita o depoimento de veterinários especialistas e pessoas ligadas a clubes de criadores que afirmam ter identificado o aumento do número de gatos.

Na pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação - Abinpet, e em parceria com o IBGE, estima-se que a população de gatos cresce em média 8% ao ano, enquanto o de cães continua em 4%.

Sobre este tema, gravamos um VetTalks com Archivaldo Reche Junior. Valdo possui graduação em Clínica Cirúrgica Veterinária pela Universidade de São Paulo (1987), mestrado em Clínica Veterinária pela Universidade de São Paulo (1993) e doutorado em Clínica Veterinária pela Universidade de São Paulo (1998). Atualmente é professor doutor da Universidade de São Paulo. Um dos mais importantes especialistas em felinos no Brasil, Valdo fala sobre sobre a especialização em felinos. 

NETVET - Ao longo das últimas décadas, temos visto um número grande de especialidades surgindo como opções de carreira para veterinários. Você acredita que há espaço para este movimento na medicina veterinária de felinos? Na sua opinião, existirá mercado para o oftalmo, endócrino ou dermatologista que atende somente gatos?

Archivaldo - A especialidade medicina de felinos vem despontando nos últimos anos como uma especialidade muito forte.  Na realidade, se a gente retroceder um pouco no tempo, há 32 dois anos, quando a gente se formou, ninguém falava em trabalhar só com gatos, não enxergávamos um mercado, uma clínica trabalhando só com gatos, quem gostava da espécie tinha que se dedicar a ambas. Com o passar do tempo fomos vendo uma mudança, não só nacional, mas uma tendência mundial.

Hoje vemos que os gatos superam os cães como animal de estimação em vários países. Nos Estados Unidos os gatos superam a população de cães. São 80 milhões de gatos para pouco mais de 60 milhões de cães. No Brasil ainda temos a população de gatos inferior a de cães, mas a previsão dos fabricantes de ração é que, nos próximos 8 anos, os gatos superem os cães como animal de estimação.

Portanto, como reflexo deste movimento, a demanda por profissionais que tenham especializações nessa espécie irá aumentar. Quando converso com colegas, vejo que o clínico já percebe que o número de gatos que ele atende é muito maior do que atendia há 10 anos.

Eu costumo dizer em aula que a gente tem medo de clinicar gatos na graduação. Os alunos saem com aquela preocupação com a medicação, ouvem que determinada medicamento pode matar o gato. É natural que não irá se lembrar de tudo o que não pode fazer com o gato, então é normal que o clínico tenha medo de atender um gato.

O medo do desconhecido é uma característica do ser humano. O veterinário assume uma posição de defesa, de proteção, e por isso muitos evitam atender gatos, por medo de errar e prejudicar o paciente. As vezes assumem que não gostam de gato, mas na verdade estão se protegendo. Entretanto, quando o profissional conhece as particularidades da espécie, adquire mais segurança e faz a clínica de felinos com mais tranquilidade.

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Os profissionais fazem cursos de especialização e atualização em gatos buscando justamente aprender essas diferenças e assim fazer uma clínica melhor, não só porque ele vai atender mais gatos, mas porque ele vai fazer uma clínica melhor. Hoje as pessoas são mais exigentes do que há anos atrás.

Esta demanda por cursos está sendo observada de perto pelo mercado. Hoje existem muitos cursos de especialização na área de felinos. São pelo menos cinco congressos voltados somente para gatos. Em contrapartida, não vemos congressos só para cães.

No entanto não creio que vai haver esse afunilamento em áreas como a ortopedia, dermatologia, oncologia ou oftalmologia especializadas em gatos. Essa dicotomia das especializações é bem difícil de acontecer. O veterinário que faz clínica de gatos, faz um pouco de tudo, mas isso não significa que se ele tiver um caso mais complexo, na área dermatológica por exemplo, não possa referir esse caso para um colega dermatologista que tenha mais dedicação a essa especialidade.

O veterinário especialista em felinos, é basicamente um clínico geral de gatos, e quando há necessidade de um especialista específico, ele encaminha o caso  ao especialista daquela área. Inclusive eu vejo que este é o propósito da maioria dos eventos nesta área, ou seja, moldar o indivíduo num formato mais generalista dentro da clínica de gatos.

NETVET - Qual sua dica para os veterinários que pretendem se dedicar exclusivamente ao atendimento de gatos?

A clínica de gatos não é uma clínica difícil como muitas vezes o clínico pensa. Quando conhecemos o mínimo da espécie, principalmente sobre comportamento, já estamos com meio caminho andado. O gato é um animal ainda em domesticação, foi domesticado há menos tempo que o cão, então precisamos entender essa particularidade do gato, não podemos exigir do gato o que exigimos do cão. São espécies diferentes.

Costumo dizer aos pretendentes que o mais importante é ouvir o tutor do gato. Ele é totalmente diferente do tutor de cão, é um ser a parte, muito detalhista e que conhece muito bem a rotina do animal. Quando este tutor mencionar que o animal está diferente mas não consegue distinguir o que é, investigue cuidadosamente, porque certamente algo de errado está ocorrendo.

Os gatos são monótonos. Variações sutis as vezes são percebidas pelo tutor e podem sinalizar o início de um problema maior que está por vir. Minha dica é: nunca subestime os tutores de gatos porque eles são muito detalhistas. 

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