Eutanásia e outras falhas na estratégia de combate à leishmaniose

Artigo aborda as dificuldades na execução do Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (PVCLV)

Em artigo publicado no Cad. Saúde Pública, em junho de 2016, Andrea Paula Bruno von Zuben e Maria Rita Donalísio, abordaram as dificuldades na execução das ações preconizadas pelo PVCLV, segundo os seus coordenadores em municípios brasileiros de grande porte, com transmissão canina e/ou humana.

A Leishmaniose Visceral (LV) é causada no Brasil pelo protozoário Leishmania (L.) infantum e transmitida predominantemente pelo vetor Lutzomyia longipalpis. Tanto no Brasil como em outros países das Américas o principal reservatório da Leishmaniose no ambiente urbano é o cão doméstico.

"A eutanásia do cão da família dificulta o bom relacionamento dos técnicos do programa com a comunidade envolvida com o problema".

Fala atribuída a um dos coordenadores do projeto.

Os números assustam. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada ano são quase dois milhões de novos casos no mundo. Cerca de 90% dos casos da América Latina ocorrem no Brasil, com quase três mil pessoas sendo infectadas pela doença anualmente. 

Para conter esse avanço o Ministério da Saúde publicou no ano de 2006 o Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (PVCLV). O plano tinha como base medidas como o diagnóstico e tratamento precoce dos casos humanos, redução da população de flebotomíneos, eliminação de reservatórios e atividades de educação em saúde.

Um dos pontos mais controversos foi justamente a eliminação dos reservatórios, afinal, falar em eutanásia dos cães soropositivos soava mais como um motivo para que os tutores não submetessem seus pets aos exames. Mas este foi só uma das dificuldades que os agentes iriam encontrar pela frente.

Em nenhum dos municípios pesquisados, houve o cumprimento da totalidade das atividades preconizadas pelo PVCLV, seja por dificuldades de caráter estrutural das prefeituras, seja por resistência dos sujeitos implicados com a doença.

As autoras concluem que uma revisão do plano deveria considerar a flexibilização de algumas diretrizes, respeitando as singularidades e as especificidades do território e da população atingida, bem como as demandas da sociedade, particularmente a relação de afeto do homem com o seu animal de estimação.

Fonte
Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 32(6):e00087415, jun, 2016


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