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Clonagem de animais de estimação

Uma rápida apresentação de onde estamos e algumas possibilidades a cerca de pra onde vamos


Em novembro de 2018, a revista American Veterinarian publicou um artigo intitulado "Pet Cloning: Where we are today", no qual a diretora da empresa americana ViaGen, Dra. Kerry Ryan, explica a clonagem de cães e gatos que é realizada na empresa desde 2015, e a importância dos médicos veterinários no processo da clonagem. Segundo a dra. Ryan, os clientes da empresa em geral são tutores que consideram seus pets como membros da família e não desejam ficar sem seus animais por perto. Há também os clientes que possuem cães utilizados em serviços militares e na polícia, muitos deles foram castrados jovens e posteriormente demonstraram grandes habilidades para o trabalho. 

A clonagem de pets certamente chegará aos laboratórios brasileiros, e caberá aos veterinários uma análise aprofundada do assunto junto aos tutores, para se optar ou não pela técnica.

O processo da clonagem começa com a preservação do material genético do animal a ser clonado, que é obtido através de uma biópsia da pele, na qual são retirados fibroblastos. Este material deve ser refrigerado e enviado à empresa para posterior criopreservação e cultura. Como este tecido pode ser estocado indefinidamente, muitos proprietários optam por fazer a biópsia da pele de seus animais e mantê-las criopreservadas como uma opção para uma futura clonagem. As amostras podem ser retiradas durante uma cirurgia eletiva de animais de qualquer idade, ou o animal deverá ser anestesiado para a realização da biópsia. A técnica deve ser asséptica e deve ser realizada no abdômen, retirando de 2 a 4 amostras de tecido em áreas distintas da pele não contaminada..

Também podem ser realizadas biópsias post-mortem, porém neste caso é necessário um tecido maior, de 2 x 2 cm de tamanho. O veterinário que realizará a biópsia deve pedir um kit ao laboratório para acondicionar as amostras de pele, e deve enviá-lo refrigerado ao laboratório. Alguns tutores optam pela biópsia após a eutanásia de seus animais.

No laboratório, é feita a eletrofusão de uma célula da pele com um oócito submetido à retirada de seu núcleo. Depois de produzidos vários embriões viáveis, fêmeas da mesma espécie (mas não necessariamente da mesma raça) receberão alguns embriões no útero, e se tornarão gestantes por um período de 60 dias aproximadamente, para dar à luz a um ou mais animais clonados. Os filhotes de cães e gatos clonados permanecem na empresa até completarem de 8 a 12 semanas de idade, para então serem levados pela nova família.

Segundo a dra. Ryan, nos Estados Unidos, os veterinários de pequenos animais devem ter conhecimentos da técnica da clonagem a fim de esclarecer as questões que surgirão de seus clientes e podem adicionar o serviço de preservação de material genético em hospitais veterinários. O preço de preservação do material genético da empresa ViaGen é de US$ 1.600, com taxa anual de US$ 150 após o 1º ano, além disso a clonagem custa em torno de US$ 50.000 para cães e US$ 25.000 para gatos.

No Brasil, existem várias empresas de clonagem de animais de produção, porém estas empresas ainda não produzem clones de cães e gatos. Os animais de produção clonados são aqueles que possuem características genéticas desejáveis, como ótima morfologia, bom ganho de peso e boa produção leiteira, contudo, a personalidade ou comportamento destes animais não são levados em conta.

Em relação aos animais de companhia, não se pode garantir que estas características serão mantidas no clone, já que a personalidade, que é uma característica importante para o tutor, é determinada por uma combinação de fatores, e apesar dos clones possuírem a aparência muito similar ao animal que o originou, a personalidade e comportamento podem  ser diferentes.

Outro ponto a ser considerado está relacionado ao bem estar animal, já que para um animal sadio ser produzido pela técnica da clonagem, alguns fetos são abortados espontaneamente devido à má formações e alguns animais clonados nascem com anormalidades. Entretanto a técnica pode ser um alento para aquelas pessoas, principalmente idosos, que estão sofrendo com uma doença grave de seu pet. Mesmo assim poderia se considerar a adoção de um animal, que é uma medida defendida por muitas pessoas que trabalham em Ongs e abrigos de animais. 

A  clonagem de pets certamente chegará aos laboratórios brasileiros, e caberá aos veterinários uma análise aprofundada do assunto junto aos tutores, para se optar ou não pela técnica.

Veja mais:

McKinney, M.  Pet Cloning: where we are today.  American Veterinarian. November, 2018. Acesso em 17/07/2019 



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